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CulturaItororó

ANTONIO DE TAL: TÕE TUBI

POR MIRO MARQUES

 

Um dia desses a nobre professora Alba Cordélia, minha amiga com lugar reservado no lado esquerdo do peito e leitora de minha coluna no Jornal Dimensão, peguntou-me por que eu não escrevi ainda qualquer coisa que falasse da vida pregressa do andarilho Tãe Tubi, velho conhecido da população de Itororó, que viveu perambulando, diuturnamente, pelas ruas da cidade, mas que não fazia mal a ninguém?

Eu lhe prometi pensar no assunto e fiquei esperando a hora certa para organizar a matéria. Porem, ilustre professora, é muito dificil se contar a historia de um povo que não faz questão de que sua própria história seja contada.

Para seu conhecimento, outro dia eu precisei fotografar um quadro na parede que estampava a fotografia de um personagem de nossa história que eu precisaria para ilustrar o relato histórico que já havia escrito sobre aquele dito vulto histórico.  Ele era o pai da moça que me expulsou. Essa moça não perermitiu, sequer, que eu tocasse o quadro e ainda me empurrou porta a fora.

Assim também aconteceu com o antigo oficial do cartório de Rio do Merio, meu amigo particular, mas quando lhe pedi para dar uma busca no livro para me Informar os dados pessoais necessários para falar de Tõe Tubi dando inicio  a esta matéria, ele prometeu que sim, mas em se tratando de uma pessoa de pouca expressão social, não teve nenhum interesse.

Sabe-se porém, que Tãe Tubi é egresso do campo, da região de Oriente, município de Itapetinga, mas não se sabe quem são seus pais e muito menos seus parentes. Ele viveu todo esse tempo como um transeunte entre Itororó e Rio do Meio, sem morada certa, vivendo da caridade pública, passando o tempo aonde encontrava um casebre abandonado ou um galpão vazio, ali era sua morada.

Sabe-se também que ele foi um gari voluntário, revirando lixos e mais lixos retirando desses aquilo lhe paracia mais viável e conveniente ao seu jeito de viver. Em terrenos baldios ou galpões desocupados encontrava o espaço ideal para depositar seus petrechos conseguidos no lixão.

Garrafas petes, sacolas velhas, papelão, móveis quebrados eram artigos finíssimos para ele.

As familias faziam questão de lhe oferecerem um prato de comida. E por ai ele foi levando a vida que o destino lhe reservou sem molestar quem querque seja e até dava recados quando alguém lhe pedia, mesmo com sua dicção ruim.

Quando os velhos políticos estavam de volta a cidade, Tõe Tubi se empetecava todo, preparava uma sacola de limão balão e lá ia ele visitar o seu deputado e lhe oferecer um poico de limão. Em troca sempre recebia umas moedinhas e saia feliz da vida.

Desta forma o mendigo Tôe Tubi viveu pelo menos uns 70 anos perambulando nesta região até o dia em que, segundo se fala por ai, uma carreta o atropelou la pelas bandas de Rio do Meio, quando foi encontrado, no outro dia cedo, por pessoas conhecidas, caido numa valeta com alguns ferimentos no corpo.

Foi socorrido, levado ao posto de saúde de Rio do Meio onde recebeu o devido atendimento médico e depois conduzido ao seu aposento, mas não demorou muito tempo e se despediu deste mundo, se afastando de uma vez por todas do sofrimento que a vida lhe impôs aqui na terra, sem parente e sem aderente. Isto já faz mais de 6 anos, segundo se sabe, seu corpo foi enterrado no cemitério de Rio do Meio, neste Município.

Das suas muitas proezas, uma nos vem a mente e levaremos à tona neste relato. Contam que Nilson da Cooperativa e Narziuda adotaram esse ilustre pedinte como hóspede durante as refeições de meio dia e do jantar. Todo dia na hora certa Tãe Tupi comparecia à casa do ilustre casal, para pegar seu pratinho quentinho.  Mas um belo dia, Nilson e Narziuda receberram uns parentes e amigos vindos de Itabuna para passar o fim de semana.

Era domingo, papo vai, papo vem, uma cervejinha gelada, uma musiquinha de sucesso, e o tempo foi passando. O relógio já marcava  uma e meia da tarde e nada de Narziuda descer o prato do seu hóspede especial, foi quando Tão Tubi não aguentou mais e subiu as escadas cuspindo maribondos e gritou:  “o Nilson seu desgraçado tu quer me matar de fome? Tu fica aí com essa cambada ruim comendo e bebendo cerveja e eu aqui esperando meu prato?” Narziuda correu na cozinha fez o prato do danado e assim ele desceu as escadas resmungando… Isto fui tudo que pude apurar, querida professora Alba, sobre o nosso inesquecível personagem…

4 Comentários

  1. Passei minha infância vendo esse ilustre morador , ele passou uma parte da vida nos fundos dos Correios, em frente à casa dos meus avós, (sou neta de Juca Carneiro, sobrinha de Biduinha), onde tinha café da manhã, almoço e jantar. No início eu tinha medo dele, depois percebi que era uma pessoa do bem e não fazia mal a ninguém. Amei a matéria! Relembrei coisas boas da minha doce infância. Parabéns!

  2. O senhor Nicodemos Bernardino Santos, e sua esposa, dona Meire, praticamente adotaram Tôe Tubi, por uns 15 anos, levaram para sua pequena propriedade no ribeirão de João Dias, e cuidaram dele, foi quando ele teve uma vida melhor, alimentação, Higiene, (coisa difícil por ele ter problema mental) cuidado Médico, e quando ele adoeceu lá na roça, levaram para uma casa, propriedade do casal em Rio do Meio, para se tratar, foi quando houve o acidente. aqui fica os meus Parabéns para esse casal, Nicodemos e Dona Meire

    1. Realmente sao duas pessoas que ja tem seus nomes inscritos no livro da vida. Nicodemos e dona Meire sao icones, da presença divina em nosso meio e nao devemos perder a esperança no ser humano, sua generosidade é uma louvação ao estimulo que faz jus aos Atos dos Apostolos dos verdadeiros cristãos em (Atos, 2,42 sgs) “Vejam com eles se amam e nao havia necessitados entre eles , pois, viviam na FRAÇAO DO PAO

  3. Almir com maos de película destroçou muitos políticos locais que em época de eleições promete o paraíso e quando eleitos, nos dao o inferno, vale para todos(as)

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