WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia
Cultura

Antonieta Campos Xavier por Miro Marques

ELA É  MOTIVO DE ORGULHO PARA SEUS CONTERRÂNEOS

 

Decorria o ano de 1944 e dele o dia 26 de janeiro, quando da frondosa árvore genealógica de Theobaldo Xavier de Brito e de Almerinda Ferreira Campos, nascia um viçoso broto do sexo feminino que receberia na pia batismal o prenome de Antonieta e mais tarde no cartório do registro civil das pessoas naturais o nome e sobrenome de Antonieta Campos Xavier.

Quis o destino que a menina Antonieta nascesse na zona rural do Distrito de Rio do Meio, município de Itororó-Bahia, no final da região cacaueira e no começo da região sudoeste baiana onde se iniciava uma crescente criação de bovinos, mais tarde, promissora região de pecuária que haveria de atenuar a inesperada crise do cacau  e atrair muitos investidores.

A menina Antonieta, como qualquer outra criança sadia, correu e brincou de bonecas com sua turminha até a adolescência. Mas Antonieta era uma garota diferente. Seu horizonte não estava ali naquele lugar. Ela sonhava com um futuro promissor. Até que um certo dia ela quis desgrudar das barras da calça do pai e da saia da mãe. Então, pediu permissão para dar asas ao seu pensamento. E com a bênção do Sr. Painho e de Dona Dinda (seus pais) e com a proteção de Deus, Antonieta resolveu bater à porta da casa da família Borges/Palmeira. Bateu e a porta se abriu. Começava ali um estreito relacionamento, não diria de empregada e patrões e sim de uma filha e seus novos pais adotivos. Estava se abrindo uma larga estrada para o sucesso do Doutorado em Medicina que demorou, mas chegou.

O que eu poderia falar mais daquela menina pobre de Rio do Meio-Itororó-Bahia que virou celebridade brasileira no campo da Medicina? Seria extrapolar o gerúndio “chover chovendo ou molhar molhando”. Pois a cineasta Betese de Paula quis usar a sua fértil imaginação, dando corpo e asas à sua personagem, num belíssimo documentário cinematográfico  –  “Dissecando Antonieta” – que chamou a atenção, também, da Revista Isto E.

Avisado que fui pelo amigo Valfrido, lí a matéria na Internet. E ladeado do dramaturgo Sérgio Ramos, tive a mais encimada honra de conhecer a autora do projeto e dela obter vênia para incluir este relato histórico biográfico, no livro de registro dos feitos históricos desta Brava Gente de Itororó, no mundo dos vivos. Livro esse que se intitula “Vultos Indeléveis”.

Permissão concedida, registro feito. Pronto, ilustre conterrânea Doutora Antonieta Campos Xavier, seja muito bem vinda à sua terra natal…

 

         Dissecando Antonieta será exibido em junho de 2018

A história de superação de renomada médica legista, ex-empregada doméstica. Coprodução do Canal Brasil dirigida por Betse de Paula O passado de Antonieta Campos Xavier não a creditava como aspirante a um futuro brilhante. Seria pouco provável afirmar que a filha de uma família pobre da zona rural da Bahia, moradora de uma pequena casa com teto de sapê e chão de barro dividida com mais sete irmãos, e sob a tutela de pais cuja formação escolar não ultrapassou o primário, conquistaria o diploma de Medicina e seria considerada recordista em necropsias de baleados no Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro. Coproduzido pelo Canal Brasil, o documentário de Betse de Paula apresenta a incrível história dessa baiana, dona de uma trajetória de muito esforço e superação para ascender do posto de empregada doméstica ao de renomada terapeuta forense.

A cineasta é profunda conhecedora da vida de sua protagonista. Antonieta mudou-se para a capital fluminense ainda jovem para tentar ganhar a vida cosendo roupas. Encontrou trabalho cuidando dos afazeres domésticos da família da diretora, um espaçoso apartamento em frente à praia de Copacabana que fez as vezes de cenário a clássicos do cinema brasileiro como Terra em Transe (1967), Bela Noite para Voar (2009) e Villa-Lobos – Uma Vida de Paixão (2000). Acordava antes do dia nascer, e reservava tempo especial para limpar a extensa biblioteca do aposento.

A cada prateleira espanada, a jovem levantava não apenas o pó dos livros, como também a vontade de estudar e crescer na vida. Seu desejo encontrou apoio de seus patrões, que ajudaram a custear os materiais necessários para sua vida acadêmica.

Antonieta relembra sua árdua história de batalha sempre com um sorriso no rosto. A protagonista retorna à sua cidade natal e comenta a luta e a dificuldade de seus pais para educarem os filhos com pouquíssimos recursos. Sentada no apartamento onde viu as portas de sua vida se abrirem, ela rememora o prazeroso esforço de frequentar a escola e conta como superou as expectativas dos próprios professores, sempre rápidos para colocar em dúvida suas aptidões.

Sua progressão acadêmica atingiu o auge quando ela recebeu o diploma de Medicina. Em um misto de euforia e emoção, a personagem diverte-se com o próprio exemplo de superação, de uma semianalfabeta aos 20 anos, cujas habilidades eram resumidas a escrever o próprio nome, a uma profissional obediente ao juramento de Hipócrates.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Fechar