WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia
Cultura

EMETÉRIO ALEJO RAMOS POR MIRO MARQUES

UM ESTRANGEIRO QUE SE FEZ ITOROROENSE.

O octogésimo nono aniversário deste espanhol por nascimento e itororoense por adoção foi comemorado com uma festa super especial, promovida pela família Gusmão Alejo, para homenagear o herói de duas guerras na Espanha, Sr. Emetério Alejo Ramos.
Nascido no município de Teresandina, na Província de Burgos, Espanha, no dia 30 de agosto de 1919, o senhor, eterno menino, Emetério Alejo Ramos, ao lado dos seus familiares comemorou mais um aniversário. Ele que engajou na vida pública com apenas 5 anos de idade como pastor de ovelhas na sua terra natal, jovem ainda, sem concluir nenhum grau de escolaridade, foi obrigado a participar de uma guerra civil na qual esteve envolvido o seu País. Nesta guerra ele foi alvejado no maxilar por uma bala que varou seu rosto deixando-o 18 meses a se alimentar por uma sonda. Quando se recuperou desse ferimento foi convocado para a Segunda Grande Guerra Mundial, nesta, também, fora atingido por uma bala no pé. Como reconhecimento da sua bravura e heroísmo a Espanha lhe homenageou com o Título de Benemérito Cuerpo de Mutilados de Guerra Por Lá Pátria, Cabalero Mutilado Útil do 1º Regimento de Infantaria San Marciel nº 22 em Madrid, no dia 20 de abril de 1987, também lhe foram outorgadas 10 Medalhas de Honra ao Mérito.

Aposentado como mutilado de guerra ele resolveu conhecer o Brasil no ano de 1965, quando trabalhou na indústria automobilística Mercedes Benz do Brasil.
Sua filha Maria Del Pilar conheceu o baiano Juarez Campos em São Paulo e se apaixono. Desta paixão nasceu Maria Del Carmen Alejo Gusmão que se casou com Jurandy Gusmão Campos, policial militar de Itororó, o conhecido Tenente Gusmão e teve 4 filhos: Pablo, Zuleica, Marimar e Jéssica. Pablo e Zuleica filhos mais velhos de Del Carmen e Jurandy geraram netos para o casal e tataranetos para Emetério e Carmen Izquierdo com quem Emetério havia se casado após a guerra, mesmo a contragosto da família dela, porque ele era pobre e ela era de família muito rica do Sul da Espanha. Eles tiveram uma sublime união de 59 longos anos, e só foram separados pela morte que arrebatara dele a eterna companheira.

Os dois cumpriram, rigorosamente, a promessa que um dia fizera perante Deus e a sociedade: “até que a morte nos separe”. Depois de alcançar com êxito o salutar gozo de sua quarta geração, Emetério, virou um eterno menino como ele mesmo dizia:” Yo, todavia soy um niño“ – eu ainda sou um menino – Emetério escolheu Itororó para sua eterna morada porque aqui também descansa em paz os restos mortais de Carmen Izquierdo sua primeira e última namorada. Emetério afirmou com todas as letras que a sua pátria hoje é o Brasil e a sua casa residencial é Itororó e que a Espanha é apenas uma lembrança distante.
A festa em comemoração aos seus 89 anos foi realizada no Restaurante Vitrine para dezenas de convidados e em meio a muita comida, refrigerantes e um seleto repertório musical entre família, começando por Jurandy e depois as filhas Zuleica e Jéssica que levantaram grandes aplausos da plateia presente. O Jornal Dimensão, sempre presente aos grandes acontecimentos, registrou o evento.

O guerreiro espanhol que escolheu o Brasil como sua nova pátria e Itororó como sua casa e última morada, dia 02 de março de 2012, teve seu último pedido realizado. Nesta data ele faleceu em Vitória da Conquista, mas seu corpo foi trasladado para Itororó onde foi sepultado ao lado da sua eterna namorada Carmen. Morreu com a convicção de que a morte é apenas o veiculo que nos conduz de volta ao começo da vida, Emetério, mesmo amargando a dor da separação, continuou fazenda a felicidade dos seus filhos, netos, bisnetos e tataranetos até que também foi convidado a embarcar na mesma condução que havia transportado a sua querida Carmem de volta à Casa do Pai. Os dois, hoje, estão eternamente juntos no cemitério público de Itororó
O cortejo fúnebre reuniu todos os grandes amigos que Emetério soubera conquistar em Itororó, todos seus familiares, inclusive os da Espanha como a filha Maria Del Pilar e a neta Marimar. No trajeto para o cemitério houve muitas lágrimas rolando em boa parte dos rostos sob a execução da bela canção de Roberto Carlos: “Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo” que serviu para amenizar os ecos da dor e da saudade que rolava entre a multidão…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Fechar